MEMÓRIAS DA ENCHENTE DE 1974 E A PRODUÇÃO DO ESPAÇO EM TUBARÃO (SC)
Resumo
A enchente de 1974 desalojou 60 mil dos 70 mil habitantes do município de Tubarão (SC) e provocou a morte de dezenas de pessoas. A cidade mantém a memória da enchente por meio de diversas iniciativas, intensificadas no início do século XXI. Partindo da perspectiva de que as investigações sobre desastres devem considerar não apenas sua contingência, como também incluir estudos pós-catástrofe, realizou-se uma pesquisa documental sobre estas iniciativas de manter a memória da enchente. O objetivo foi compreender estas ações como políticas de memória e investigar suas relações com a produção social do espaço urbano, por meio da análise dos monumentos na cidade e da adoção de medidas como a instituição do dia municipal de memória da catástrofe. Considera-se a memória um processo coletivo e seletivo sobre aquilo a lembrar e esquecer, que pode ser materializada na paisagem urbana, representando uma articulação entre tempo e
espaço. A pesquisa demonstra que a construção de monumentos e outras referências à enchente apresentam estreita relação com momentos e personagens políticos, e conclui que as políticas de memória são elementos chaves à construção da história e identidade urbana e legitimação de novas ações políticas.
Palavras-chave: Enchente; Memória; Produção social do espaço; Monumentos.
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