POLÍTICA AGRÁRIA E O ORDENAMENTO TERRITORIAL NO MARAJÓ – PARÁ

##plugins.pubIds.doi.readerDisplayName## https://doi.org/10.4215/rm2019.e18013

Resumen

A legislação brasileira atual apresenta elementos fundamentais para o reconhecimento de territórios das populações tradicionais, em particular da Amazônia, a exemplo do que estabelece o II Plano Nacional de Reforma Agrária (PNRA). O objetivo deste estudo é analisar a política de reforma agrária oriunda do II PNRA e seus desdobramentos no Marajó, Estado do Pará. Além da análise de documentos e revisão de bibliografia pertinente, utilizou-se como base metodológica o estudo comparativo, que ajuda analisar processos de mudança social e de políticas públicas. Constatou-se que apesar do esforço dos movimentos sociais e, consequentemente, de diversas famílias já estarem incluídas nesta ação do governo federal, o que
caracteriza significante conquista, os interesses exógenos prevalecem em detrimento do real reconhecimento de diversas famílias marajoaras que aguardam pela melhor efetivação de uma política de reforma agrária na região. O estudo considerou ainda que a limitação na execução deste Plano
no Marajó possibilita: (i) a continuidade da exploração madeireira empresarial, sendo uma atividade econômica pouco includente e geradora de grande passivo ambiental, (ii) plataforma para interesses político-eleitorais e (iii) a chegada da fronteira agrícola e estruturação do agronegócio.

Palavras-chave: Reforma agrária, Populações Tradicionais, Amazônia

Citas

BRASIL. Casa Civil da Presidência da República. Plano de Desenvolvimento Territorial Sustentável do Arquipélago do Marajó - PDTSAM. Brasília, 2007. 296p.
BRASIL. Ministério do Desenvolvimento Agrário - MDA. Instituto De Colonização E Reforma Agrária - INCRA, II Plano Nacional de Reforma Agrária: Paz, produção e qualidade de vida no meio rural. Brasília, 2005. 40p. Disponível em: . Acesso em: 24 fev. 2016.
BECKER, B. Amazônia.Geopolítica na virada do III milênio. Rio de Janeiro: Editora Garamond, 2004. 166p.
CARVALHO, J. P. L.; SILVA, L. M. S. (2015). Lógicas agroextrativistas em contexto de mudanças socioeconômicas no Arquipélago do Marajó - Pará, Amazônia. Revista Brasileira de Agroecologia, v. 10, n. 1, p.50-65.
CRUZ, B. V. O Alvorecer das indicações geográficas na Amazônia: a “corrida” pela IG do queijo artesanal do Marajó – PA. 2017. 388p. Tese (Doutorado) - Universidade Estadual Paulista, Faculdade de Ciências e Tecnologia, Presidente Prudente, São Paulo.
CRUZ, B. V.; SILVA, A. R. Conflito pelo uso do território nos campos marajoaras – Pará: entre o uso monopolista e o uso coletivo do território. Revista do Instituto Histórico e Geográfico do Pará (IHGP), Belém, n. 1, v. 01, p.76-87, jan./jun. 2014.
DIÁRIO OFICIAL DA UNIÃO. 13/09/2017, nº 176, Seção 1, pág. 69. Portaria nº 361, de 8 de setembro de 2017. Ministério do Meio Ambiente, Gabinete do Ministro, 2017.
DIVISÃO REGIONAL DO BRASIL EM REGIÕES GEOGRÁFICAS IMEDIATAS E REGIÕES GEOGRÁFICAS INTERMEDIÁRIAS: 2017/IBGE. Coordenação de Geografia. Rio de Janeiro: IBGE, 2017. 82p.
ESTERCI, N.; SCHWEIKARDT, K. Territórios amazônicos de reforma agrária e de conservação da natureza. Boletim de Ciências Humanas. Populações, territorialidades e estado na Amazônia. v. 5. n. 1. p.59-78, jan./abr. 2010.
ESTEVAM, D; STEDILE, J. P. A questão agrária no Brasil: debate sobre a situação e perspectivas da reforma agrária na década de 2000. São Paulo: Expressão Popular, 2013. 242p.
FERNANDES, B. M. Movimentos socioterritoriais e movimentos socioespaciais: contribuição teórica para uma leitura geográfica dos movimentos sociais. Revista Nera, ano 8, n.6, p.24-34, jan/jun. 2005.
FERNANDES, B. M. Estados e as políticas agrárias recentes. Revista da Associação Brasileira de Reforma Agrária (ABRA). Edição especial - Questão Agrária e Desigualdades no Brasil II, ano 35, v.02, p.67-75, 2015.
GOHN, M. G. Movimentos na contemporaneidade. Revista Brasileira de Educação, v. 16, n. 47. p.333-512, mai-ago. 2011.
INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA – IBGE. Estimativa 2017 (Pará). Disponível em: . Acesso em: 12 jul. 2018.
INSTITUTO CHICO MENDES PARA A CONSERVAÇÃO DA BIODIVERSIDADE - ICMBIO. Flona de Caxiuanã. Unidades de Conservação - Amazônia. Ministério do Meio Ambiente, Brasília, 2015a. Disponível em: . Acesso em: 14 mai. 2015.
INSTITUTO CHICO MENDES PARA A CONSERVAÇÃO DA BIODIVERSIDADE - ICMBIO. Unidades de Conservação. Ministério do Meio Ambiente, Brasília, 2015b. Disponível em: . Acesso em: 04 set. 2015.
INSTITUTO NACIONAL DE COLONIZAÇÃO E REFORMA AGRÁRIA - INCRA. História do INCRA. Brasília, 2015a. Disponível em: . Acesso em: 14 mai. 2015.
INSTITUTO NACIONAL DE COLONIZAÇÃO E REFORMA AGRÁRIA - INCRA. Diretoria de obtenção de terras e implantação de projetos de assentamentos. Sistema de Informação de Projetos de Reforma Agrária (SIPRA). Números da Reforma Agrária. Relatório: Rel_0227. 16/07/2015, Brasília, 2015b. Disponível em: . Acesso em: 11 jan. 2015.
INSTITUTO PEABIRU. Ordenamento fundiário de um território verde: aprendizados e desafios de três anos de trabalho (Relatório). Programa Viva Marajó, jan. 2013. 117p.
INSTITUTO DE PESQUISA ECONÔMICA APLICADA - IPEA. Relatório de Pesquisa. Observatório da função socioambiental do Patrimônio da União na Amazônia. Relatório Territorial do Marajó. Rio de Janeiro, 2015. 112p.
LUIZ FILHO, J.; FONTES, R. M. A formação da propriedade e a concentração de terras no Brasil. Revista de História Econômica e Economia Regional Aplicada, v. 4. n. 7, p.63-85, jul/dez. 2009.
MAIA, R. O. A política de regularização fundiária nas comunidades ribeirinhas no Pará. In: Encontro da Rede de Estudos Rurais, 3. Curitiba. Anais... Curitiba: Rede de Estudos Rurais, 2010.
MAIA, R. O. A política de regularização fundiária e reforma agrária: o PAE nas Ilhas do Pará. 2011. 194 f. Dissertação (Mestrado em Planejamento do Desenvolvimento) - Universidade Federal do Pará, Núcleo de Altos Estudos Amazônicos, Belém, Pará.
NASCIMENTO JÚNIOR, L. Transformações e permanência dos estudos comparados na geografia. Boletim Goiano de Geografia, v. 37, n. 2, 2017. p.302-321.
NORDER, L. A. C. Controvérsias sobre a reforma agrária no Brasil (1934-1964). Revista NERA, Presidente Prudente, ano 17, n. 24. p.133-145, jan./jun. 2014.
SAUER, S. Reflexões esparsas sobre a questão agrária e a demanda por terra no século XXI. In: STEDILE, J. P. (Org.) A questão agrária no Brasil: debate sobre a situação e perspectivas da reforma agrária na década de 2000. São Paulo: Expressão Popular, 2013. p.167-187.
SILVA JÚNIOR, A. F. As organizações patronais rurais no Estado do Pará: evolução e perspectiva. Revista do Instituto Histórico e Geográfico do Pará, Belém, n. 1, p. 88-106, jan/jun. 2014.
SILVA, E. G. Territorialidades específicas e mudanças fundiárias: o processo de territorialização dos Monteiros do Rio Preto, Município de Afuá, Pará. 2013. Dissertação (Mestrado em Agriculturas Familiares e Desenvolvimento Sustentável) - Universidade Federal do Pará, Belém, Pará.
SILVA. M. G. Extrativismo empresarial e legislação florestal: estratégias das empresas madeireiras e palmiteiras na apropriação dos recursos florestais nas várzeas da Amazônia. In:Congresso Latinoamericano de Direito Florestal Ambiental, 7, Curitiba. Anais... Curitiba: UFPR, 2009. 7p.
SOUZA, A. L. Evolução do sistema agrário da mesorregião do Marajó: uma perspectiva sócio-histórica. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE SISTEMAS, 3, 2007, Florianópolis. Anais... Florianópolis: UFSC, out. 2007.
SUPERINTENDÊNCIA DO DESENVOLVIMENTO DA AMAZÔNIA - SUDAM. Ministério da Integração Nacional. Histórico SUDAM. Pará, 2015. Disponível em: . Acesso em: 27 dez. 2017.
TRECCANI, G. D. O título de posse e a legitimação de posse como formas de aquisição da propriedade. Procuradoria Geral do Estado do Pará, Belém, 2012. Disponível em: . Acesso em: 27 dez. 2017.
VIDAL, J. P. (2013). Metodologia comparativa e estudo de caso. Papers do Naea, Núcleo de Altos Estudos Amazônicos/UFPA, Belém, n. 308, p. 04-33, 2013.
Publicado
03/07/2019
##submission.howToCite##
CARVALHO, João Paulo Leão; CRUZ, Benedito Ely Valente da; CALVI, Miquéias Freitas. POLÍTICA AGRÁRIA E O ORDENAMENTO TERRITORIAL NO MARAJÓ – PARÁ. Mercator, Fortaleza, v. 18, july 2019. ISSN 1984-2201. Disponible en: <http://www.mercator.ufc.br/mercator/article/view/e18013>. Fecha de acceso: 12 feb. 2026 doi: https://doi.org/10.4215/rm2019.e18013.
Sección
ARTICLES